O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, fez do projeto de requalificação do centro da capital uma das principais bandeiras de sua gestão, e que pode virar sua vitrine eleitoral. Apesar da credibilidade e do custo a ser pago pelo Estado mais rico da União nessa empreitada, a revitalização da região poderá ser um teste involuntário no enfrentamento de um problema que o governo terá que superar: as regras do Brasil que inviabilizam iniciativas de retrofit. Este é um dos recortes de uma análise contundente de Carlos Ferrari, sócio da NFA Advogados, sobre as incoerências regulatórias do ambiente de negócios em todo o Brasil.
A observação de Ferrari parte de uma observação surpreendente, de que o volume de imóveis sem uso no Brasil supera o déficit habitacional do país. “Se eu puder criar um uso adequado de imóveis que existem prontos e não estão sendo utilizados como deveriam, eu já acabo com o déficit habitacional. Olha que maluquice”, afirmou, em entrevista ao Blue Chip Talks.
Importante ressaltar que domicílios vagos e déficit habitacional não medem o mesmo fenômeno, e nem todo imóvel vazio poderia ser convertido imediatamente em moradia. Ainda assim, os números ajudam a dimensionar a provocação. O Censo 2022 do IBGE registrou 11,4 milhões de domicílios vagos no país, enquanto a Fundação João Pinheiro estimou o déficit habitacional em 6,2 milhões de moradias. Antes de discutir onde construir mais, talvez valha entender por que o país encontra tanta dificuldade para reutilizar os ativos que já possui.

