Com o CDI a 13,9% ao ano, permanecer na renda fixa parece uma decisão difícil de contestar. A remuneração elevada preserva o poder de compra e oferece ao investidor a tranquilidade de evitar as oscilações de outros mercados. Emerson Junior, sócio e head da mesa de câmbio da Convexa, assessoria de investimentos ligada ao BTG Pactual, introduz nessa conta uma distinção importante. “O CDI protege da inflação, mas não do risco Brasil”, afirma.
A inflação reduz o valor do dinheiro ao longo do tempo, enquanto o risco Brasil alcança o patrimônio por diferentes caminhos. Ao concentrar suas aplicações no CDI, o investidor reduz a volatilidade da carteira, mas nunca a dependência do cenário doméstico. Uma aplicação atrelada ao CDI pode ser conservadora quando analisada isoladamente. Mas, se os demais investimentos também dependem do Brasil, o patrimônio como um todo continua concentrado no mesmo risco.
Segundo Emerson, apenas 1% dos recursos aplicados pelos brasileiros está no exterior, diante de 30% nos Estados Unidos e quase 80% no Japão. As antigas dificuldades de acesso já não explicam tamanha diferença. Quando ele começou a trabalhar com contas internacionais, em 2014, determinadas estruturas exigiam cerca de US$ 500 mil. Hoje, afirma, é possível começar com um envio de US$ 20.
A facilidade de acesso, porém, ainda concorre com uma renda fixa que estabeleceu um parâmetro difícil de abandonar. “Aqui, sem perder dinheiro, eu ganho 14% ao ano. Lá, sem perder dinheiro, eu ganho 3,5% ao ano”, diz Emerson ao reproduzir o cálculo feito por muitos investidores. O problema dessa comparação está em exigir que a posição internacional dispute rentabilidade com o CDI, quando sua função é acrescentar outra moeda e outra economia ao patrimônio.

