Enquanto negocia aquisições para ampliar de R$ 12 bilhões para cerca de R$ 15 bilhões o patrimônio sob custódia até o fim de 2026, a Veedha Investimentos identifica uma oportunidade que considera pouco percebida pelo mercado. Na avaliação da gestora, diversos fundos imobiliários continuam sendo negociados com descontos de até 25% em relação ao valor patrimonial, apesar da expansão estrutural da indústria e do crescimento contínuo da base de investidores no Brasil.
Segundo o sócio-fundador e CEO, Rodrigo Marcatti, o objetivo não é apenas ampliar o volume de ativos administrados, mas consolidar um modelo de plataforma que reúna investimentos, crédito, câmbio, seguros, planejamento sucessório e advisory sob um único relacionamento com o cliente.
“Hoje a ideia é ser o consolidador financeiro do cliente.”
Com aproximadamente 15 mil clientes, a Veedha negocia aquisições de empresas que administram entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões em patrimônio. O foco está na incorporação de operações com sinergias comerciais, operacionais e culturais, capazes de acelerar a expansão nacional da companhia.
“Hoje estamos conversando principalmente com empresas entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões. O que pesa na decisão é a sinergia operacional, cultural e comercial.”
A estratégia também contempla crescimento orgânico, ampliação da presença regional e fortalecimento do ecossistema financeiro construído pela companhia.

Rodrigo Marcatti – sócio-fundador e CEO da Veedha Investimentos
Fundos imobiliários seguem como aposta
A avaliação da Veedha ocorre em um momento de expansão da indústria. Dados da B3 mostram que a base de investidores em fundos imobiliários ultrapassou 3 milhões de pessoas, consolidando os FIIs como uma das principais portas de entrada do investidor brasileiro para o mercado imobiliário. Em 2025, o mercado também registrou forte valorização do IFIX e crescimento do volume negociado.
Apesar desse avanço, Marcatti afirma que os fundos imobiliários continuam representando cerca de 10% das carteiras administradas pela Veedha e devem permanecer como uma das principais apostas da gestora ao longo de 2026.
Na avaliação do executivo, o atual patamar dos juros mantém muitos investidores concentrados na renda fixa e acaba pressionando artificialmente as cotações dos fundos imobiliários.
“Hoje você tem a oportunidade de entrar em fundo imobiliário com cerca de 20% de desconto, chegando em alguns casos a 25% abaixo do valor patrimonial, gerando uma renda superior a 1% ao mês.”
Para Marcatti, boa parte desse desconto decorre do comportamento dos investidores. Enquanto o proprietário de um imóvel costuma acompanhar apenas o aluguel recebido, o cotista observa diariamente a oscilação das cotas na bolsa e acaba tomando decisões de curto prazo.
“As pessoas compram um imóvel e olham quanto de aluguel entra na conta. No fundo imobiliário, elas ficam olhando o preço da tela todos os dias. Isso gera ansiedade e faz muita gente esquecer que está comprando patrimônio com desconto.”
Segundo o executivo, esse comportamento faz com que ativos imobiliários de alta qualidade sejam negociados abaixo do custo de reposição, inclusive em regiões consolidadas como a Faria Lima.
“O investidor olha muito para a renda versus o CDI e esquece de analisar o patrimônio. Em vários casos, o ativo está sendo negociado abaixo do custo de construir um empreendimento equivalente.”
Marcatti ressalta, porém, que a oportunidade exige análise criteriosa dos ativos. O aumento das recuperações judiciais elevou a importância da avaliação de crédito, das garantias e da diversificação das carteiras.
“Hoje não existe mais garantia de que uma grande empresa não terá problemas. O único almoço grátis que existe no mercado continua sendo a diversificação.”
Na visão da Veedha, a evolução da indústria, combinada aos descontos observados atualmente, cria uma das melhores janelas de alocação em fundos imobiliários dos últimos anos para investidores com horizonte de médio e longo prazo.
Contexto de mercado: dados da B3 mencionados no texto referem-se às estatísticas públicas da bolsa brasileira sobre a evolução da indústria de FIIs.
